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terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Texto sobre o SDC 2009 na Ultimato




Ultimato é uma revista cristã que há 40 anos faz um trabalho muito legal, de linha editorial bem equilibrada, uma ótima equipe de articulistas e que preza pela seriedade do evangelho.

Talvez o melhor resumo seja este, que está no site da editora:

"FUNDADA EM 1968, ULTIMATO APRESENTA O CONTEÚDO BÍBLICO NUMA FORMA CRIATIVA E CONTEXTUALIZADA. AO LADO DE MUITOS OUTROS, PARTICIPA DA PROCLAMAÇÃO DA BOA NOVA QUE NUNCA FICA VELHA, DA ESPERANÇA QUE NUNCA MORRE E DO SALVADOR QUE NUNCA MUDA."

Uma revista que gostamos, admiramos e recomendamos!

Na última edição é possível conferir um texto sobre o Som do Céu, assinado por Carlinhos Veiga. Confira um trecho:

25 anos de Som do Céu

"Deus tem me dado grandes privilégios. Um deles é ser o músico que mais pisou nos palcos do Som do Céu. Para quem não conhece, o Som do Céu é um acampamento promovido pela Mocidade Para Cristo (MPC), realizado nos arredores de Belo Horizonte, no feriado da Páscoa.
Em 1985 aconteceu a sua primeira edição, com a participação do Rebanhão, Vozes da Promessa, Logos e Quarteto Vida. Desse eu não participei; o Expresso Luz não havia sido convidado. Porém, um ano depois estávamos em Belo Horizonte emocionados em cantar num evento de repercussão nacional, dividindo o palco com aqueles músicos cristãos que eram inspiração para nós.


Os tempos eram outros. Ainda não se ouvia falar do movimento gospel, a repercussão dos movimentos neopentecostais ainda era pequena, quase não se ouvia música cristã no rádio e a participação da igreja evangélica na televisão era ainda tímida. Falo de tempos em que o processo de gravação era ainda bastante caro e de difícil acesso. Praticamente tudo vinha do eixo Rio–São Paulo.

Desse palco muitos artistas surgiram e..." para continuar lendo, clique AQUI.


domingo, 12 de outubro de 2008

20 Anos sem Janires

Saudades do Amigo
extraído do Blog do Carlinhos Veiga

Passaram-se vinte anos desde aquele janeiro de 1988. Foi um mês de emoções muito intensas. Pela primeira vez, desde que havia me tornado obreiro em tempo integral da Mocidade Para Cristo eu não ia à Temporada de Janeiro do nosso acampamento em BH. A razão era apenas uma: a Cláudia minha esposa estava nos dias para dar à luz do nosso primeiro filho. Por isso ficamos em Goiânia curtindo o prudente resguardo.

Um dia bem cedo, o telefone de casa tocou. Era o Marcelo Gualberto, amigo do coração com a voz embargada. A notícia era trágica. Janires, o nosso querido Rev. Jajá, havia falecido naquela segunda-feira, dia 11 de janeiro de 1988, às 3h30 da madrugada, em Três Rios, num acidente com o ônibus que o trazia do Rio para BH. Por isso ele não havia chegado para o Clubão na noite daquela segunda. Por isso ele não estava ministrando a música na manhã de terça no acampamento, como era esperado. O corpo foi reconhecido por uns amigos da MPC em Petrópolis e imediatamente ligaram para o escritório em BH.


Na quarta-feira, dia 13, o corpo dele foi velado em Brasília e realizado o culto no templo da Igreja Nova Vida, às 15h. Depois foi sepultado no Cemitério Campo da Esperança. Muito embora eu morasse na época em Goiânia, distante apenas 200 km da Capital Federal, só consegui chegar para o sepultamento, diretamente no cemitério. Naquele manhã tive que levar a Cláudia para alguns exames porque a médica havia detectado que o bebê estava passando por um sofrimento com o amadurecimento precoce da placenta. Com isso tivemos que antecipar o nascimento dele. No dia 19 nasceu o Pedro, nosso primogênito, muito aguardado e amado. O nosso coração se dividia entre a alegria da chegada do Pedro e a tristeza da partida do Janires.

Foram dias, meses, porque não dizer anos, de um profundo luto na MPC. Lembro-me como hoje o tanto que choramos naquele Som do Céu sem a presença de um de seus mentores, o velho Jajá. Quando a Banda Azul tocou tive que sair do circo tamanho nó na garganta.


Conheci o Janires
... (para continuar lendo, clique aqui )

Uma crônica do Som do Céu

por Jorge Camargo

publicada na Revista da Tchurma Dezembro/Janeiro 1999



Dois adolescentes amigos, de alguma cidade desse país conversam sobre o que farão no próximo feriado de Páscoa:

- E aí, vamos pro “Som do Céu”?
- “Som do Céu”, que é isso?
- É tipo um “Woodstock” evangélico.
- “Woodstock”...?
- É. Meu pai disse que em 69, nos Estados Unidos, teve um evento de vários dias reunindo bandas “da hora”, numa fazenda enorme...e que foi um grande “auê”.
- E esse “Som do Céu” é assim?
- Bom, é mais ou menos. Vem uma moçada do Brasil inteiro, muitos ficam em barracas, num lugar tipo sítio. A gente se reúne debaixo de uma lona de circo, ouve várias bandas...
- E as menininhas?
- De montão, cara, de montão!
- Indispensável, mano, indispensável! Diz aí, e as bandas, são legais?
- Quase nenhuma a gente ouve tocar no rádio ou vê nos programas “gospéis” na TV, mas, sabe que quando fui a primeira vez no ano passado fiquei surpreso? Foi o maior barato, cara!
- Olha lá, hein? Não quero perder meu final de semana ouvindo “tralha”...
- “Tralha” por “tralha”, prefiro arriscar ouvir o que não conheço...quem sabe ouço algo de bom, diferente do que rola no meio...?
- Isso lá é verdade. E por que será esse nome “Som do Céu”?
- Ah, esse é o grande barato do evento, mano! Lembro que cheguei lá, na Quinta Feira Santa, tava pra lá e “down”...tinha brigado com a namorada, mãe, pai, papagaio, cachorro...aos poucos fui me enturmando. Tinha uma moçada super receptiva, amiga fui me abrindo... é como se o som que rolasse no palco fosse além dele mesmo. O Marcelo Gualberto, o “big boss” do acampamento, falou na noite de abertura sobre a necessidade da gente ouvir esse “som que vem do céu” dentro do coração... parecia um pouco a pregação de Domingo à noite aqui na igreja, mas, não sei, foi diferente, tinha um calor especial, era cheia de... amor!
- Nossa cara, nunca te ouvi falando assim!
- Pois você não viu nada! Juntando com o som das bandas, estórias que ouvi de muitos lá na frente – algumas igualzinhas às nossas – fui deixando meu coração se amolecido. Lembro que no final não agüentei. Foi um apelo que fizeram pra que entregássemos nossas vidas a Deus... levantei, abracei um amigo do lado que fiz naqueles dias, e chorei. Chorei com naquela primeira vez que nos abraçamos na igreja, ainda molecotes no apelo do pastor, lembra?
- Ô se lembre! Por mais que tentasse esquecer, jamais poderia...
- Pois é... O “Som do Céu” é isso e muito mais!
- Tô nessa, mano...Já fui!
- Posso fazer a reserva em nosso nome?

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Som do Céu 25 Anos

por Carlinhos Veiga

Tenho o privilégio de ser o músico que mais vezes pisou no palco do Som do Céu. Só não participei do primeiro. Na época o Conjunto da MPC Goiânia, que depois veio a se chamar Expresso Luz, não havia sido convidado. Naquela edição participaram os grupos Rebanhão (ainda com o Janires), Logos, Vozes da Promessa e Quarteto Vida. Não fui, mas fiquei sabendo da repercussão do evento. No ano seguinte o Marcelo Gualberto nos convidou, como uma forma de incentivo a um dos grupos musicais da missão.

Lembro-me como se fosse hoje. Quando chegamos no Acampamento da MPC, em São Sebastião das Águas Claras (MG), na quinta-feira santa de 1985, vimos um circo colorido montado no estacionamento. Lá dentro um palco com muitos microfones, raridade para a época, muitos instrumentos e equipamentos. Tinha até um Tremendão! Na platéia centenas de cadeiras iluminadas por aquele tom avermelhado do reflexo colorido da lona. Estávamos nervosos, pois dividiríamos o palco com grupos de nossa profunda admiração. Cantar num mesmo evento que o Logos e o Rebanhão era privilégio impensável para nós do Centro-Oeste, numa época em que as distâncias pareciam maiores do que hoje e onde o que repercutia no Brasil era somente aquilo que acontecia no eixo Rio-São Paulo. Preciso lembrar que nessa época não conhecíamos a internet (e conseqüentemente MSN, Orkut, Myspace, Youtube e afins), nem telefone celular. Não havia TVs evangélicas, eram poucas as rádios cristãs, instaladas somente nas cidades onde a igreja tinha alguma força. Nessa época o movimento gospel com sua geração de infindáveis bandas estava apenas surgindo. Renascer, Universal do Reino de Deus, Igreja Internacional da Graça, entre outras neopentecostais, que ocupam e já ocuparam a mídia, estavam começando sua caminhada. Era tempo onde as Comunidades Evangélicas ditavam os louvores, dividindo o cenário da música cristã no Brasil com Vencedores Por Cristo e Logos, em São Paulo, e Rebanhão, no Rio de Janeiro.

Foi nesse contexto que nos vimos convidados a participar de um evento de repercussão nacional. Dá para imaginar a nossa expectativa! Era tudo muito novo e muito desafiador. Nem nos dávamos conta do que Deus estava fazendo, tornando o Som do Céu um movimento de resistência diante de tudo o que a igreja passaria nos anos seguintes.

Os anos se passaram e o Som do Céu seguiu firme na estrada. Somente pela graça de Deus que um evento dure tanto tempo e com tanto vigor, passando pelas diversas mudanças acontecidas no país, sem perder a sua identidade.

Nesse palco tive o privilégio de ver muito artista surgir e realizar um ministério relevante. Vi também o ocaso de vários grupos e artistas, infelizmente. E, de tudo isso, aprendo e reaprendo, ano após ano, que o Senhor espera de nós fidelidade em tudo que realizamos, vida santificada e separada, pois esse é o verdadeiro louvor que o agrada.

Agora vejo a MPC às portas de comemorar os 25 anos de Som do Céu. É uma alegria para todos nós, para toda a igreja. Como o tempo voa...

Nesses dias me dei conta que a maioria das Páscoas de minha existência foram no Som do Céu. No primeiro que participei era solteiro. Depois me casei com a Cláudia e seguimos participando. Prá lá levamos todos os nossos filhos desde pequeninos; o Pedro, por exemplo, foi pela primeira vez aos 2 meses de idade. Agora, em 2008, pisou os palcos integrando duas bandas: a Sondafé, banda da qual participa como baixista, e a banda que me acompanha. Acho que não há maior alegria para um pai do que ver seu filho frutífero no ministério concedido pelo Senhor.

Às vezes paro para pensar na grande contribuição que o Som do Céu trouxe até aqui para a igreja brasileira e louvo a Deus. Esse acampamento acabou se tornando num espaço de contra-cultura gospel, diferente do que se vê por aí, pelo país. O que era um evento tomou a forma de um movimento, não planejado, não institucionalizado, não regulamentado – de evento em vento – coisas do Espírito. Seus sons reverberam pelos quatro cantos: Som do Cerrado (primeiramente em Uberlândia e depois em Goiânia), Som do Sertão (Caruaru, PE), Nossa Música Brasileira (Arujá, SP, promovido pela missão Jovens da Verdade) e agora, mais recentemente, Som da Serra (Palmas, TO). Isso sem contar outros tantos programas, blogs, sites, revistas, jornais, CDs, inspirados na filosofia e teologia do SDC.

Esse acampamento tem sido um espaço para se respirar um ar diferente, ouvir um som diferente e curtir um companheirismo diferente. Um lugar onde fé cristã e brasilidade se integram de maneira natural; onde a doentia dicotomia existente entre o evangelho e a vida cotidiana são diminuídas. Tudo isso porque ali o que se vê e o que se ouve são demonstrações práticas de que podemos viver nesse mundo de maneira coerente, sob o governo de Cristo Jesus. A cabeça nos céus, mas os pés nesse chão. E que venha o Teu Reino!

Não posso terminar esse texto sem honrar a pessoa do Marcelo Gualberto, que juntamente com o Janires, na década de 80, idealizou o Som do Céu. Agradeço a Deus pela vida desse grande amigo e companheiro de sonhos no Reino de Deus que nunca se deixou abater pelas críticas, muitas vezes ferinas, pelas dificuldades financeiras da missão, pelas indisposições e intolerâncias de tantos artistas, pelos contratempos, pelas inscrições sempre feitas de última hora, pela insensibilidade de líderes eclesiásticos, e por tantos e tantos outros percalços. É, meu amigo... “quem sai andando e chorando enquanto semeia, voltará com júbilo trazendo os seus feixes”. Obrigado por não desanimar. Sei que o Senhor tem te fortalecido. Temos ainda muito por fazer, pois como você mesmo diz, “o melhor está ainda por vir”.

Quem participa do Som do Céu volta renovado, animado e cheio de vigor para caminhar mais um tanto. Peço a Deus que o dê ainda fôlego longo, para a alegria de todos nós e pelo bem da arte produzida por cristãos no Brasil.

Felicidades, Som do Céu!